terça-feira, 1 de julho de 2008

Os Arcanos Superiores - VII - O Carro

Na maioria dos baralhos esta carta chama-se “O Carro”. No Tarot Egípcio é o “Triunfo”.
O seu número é o 7, símbolo egípcio da vida eterna. É um número primo, mas é o único na primeira dezena que não tem divisor nem múltiplo. Por isso simboliza pureza, subtileza, essência.
São 7 as cores do arco-íris; são 7 as notas musicais; são 7 os dias da semana e os dias de cada ciclo lunar; são 7 os planetas individuais, dado que Úrano, Neptuno e Plutão são transpessoais.
O 7 é a segunda polarização da unidade: 3=1+2; 7=3+4. também se podem obter as corres do espectro a partir das 3 primárias, como por exemplo, na televisão.
Na tradição tibetana do “Livro dos Mortos” são 49 o número de dias em que a alma vagueia até encarnar de novo. 49=7x7.
São 7 os principais centros energéticos do corpo humano.

Símbolo Astrológico: Câncer (Caranguejo)
Este é um Signo de Água, é Cardinal e considerado o mais sensível do Zodíaco. O nativo de Câncer veste-se com uma capa protectora para esconder a sua vulnerabilidade. É imaginativo, temperamental e com fraca confiança em si mesmo, pois imagina críticas e ataques inexistentes. É naturalmente tímido, mas não gosta de solidão. Tem uma forte tendência de viver através dos outros: filhos, marido, esposa, etc.
Este Signo é governado pela Lua, daí a grande sensibilidade, as intensas emoções e o apego às origens, ao lar materno, à mãe e ao passado.
Os nativos de Câncer adoram o mar.
A palavra-chave para um nativo de Câncer é: eu sinto!

Elemento: Água

Caminho Cabalístico: É o 18º Caminho, unindo Gueburah, a Fortaleza, a Binah, o Conhecimento. É um caminho difícil porque atravessa Daat, o Abismo. A força, o poder e a coragem de Gueburah levam o caminhante a atravessar o Abismo e atingir o supremo conhecimento contido em Binah.

Simbologia: Na carta vemos uma carruagem puxada por 4 animais estranhos. O cocheiro ou condutor segura um disco entre as mãos. O toldo ou cobertura da carruagem é azul, a cor de Binah, sobre o qual vemos escrito “abracadabra”. O toldo está apoiado em 4 colunas e as rodas vermelhas representam a energia dinâmica de Gueburah. Os 4 animais são baseados nos 4 querubins que formam a Esfinge, lembrando também a visão de Ezequiel do carro de fogo.
Nenhum dos animais olha para trás, para o passado. Isto significa ruptura com esse passado.
O condutor, completamente vestido com uma armadura, mostra a face marcial de Gueburah, a esfera de Marte na Árvore Sefirótica. Sobre a armadura tem incrustadas dez esmeraldas, as dez estrelas do Mundo de Assiah, o mundo material dos cabalistas.
A armadura, o capacete sobre o qual vemos um caranguejo, símbolo de Câncer, representam o ego, as defesas e as máscaras, os traumas cristalizados com os quais o condutor ainda se identifica, tentando proteger-se dos perigos da viagem da vida.
Tem a atenção focada no disco giratório, que é vermelho no centro, “YANG”, e azul ao redor, “YIN”, que quer dizer firme por dentro e suave por fora.
Por detrás das cabeças dos 4 animais vemos a Lua, expressão feminina indicando que a procura da plenitude está no inconsciente.
O caminho do Carro está pavimentado com pedras douradas. É o Caminho Real ou de autoconhecimento.
Em termos gerais, o Carro corresponde à primeira iniciação do Louco: o abandono de condicionamentos, rotinas, hábitos, jogando-se na aventura do desconhecido. É o desapego. Esta carta é a representação do Caminho Espiritual, é o reinício de uma nova vida. O seu triunfo só acontecerá no fim da viagem.


LEITURA

Situação actual: Esta pessoa completou um ciclo da sua vida e está preparada para algo diferente, novas experiências. É uma vontade interior ainda não manifestada no plano concreto. Procura cortar com os condicionamentos que a têm sufocado: lar, família, emprego, relações vazias e estéreis, etc.

Âncora: A pessoa mostra-se auto-suficiente, desapegada e independente, mas trata-se de uma máscara para esconder os seus sentimentos, os seus impulsos instintivos e as suas necessidades emocionais e materiais, Por debaixo da brilhante armadura está uma pessoa muito carente, possessiva e ciumenta. Tem dificuldade em aceitar mudanças e adoptou um tipo de defesa que pode ser oral, um discurso para esconder o seu egocentrismo e carências afectivas.

Inconsciente: Torna-se necessária uma mudança de vida, a actual já não faz sentido para o ser interior. É importante seguir a voz do coração, ainda que isso signifique o corte e o desapego de elementos que fornecem uma certa segurança material e/ou emocional.

Relações afectivas: Dependendo das outras cartas, pode significar que a pessoa está abandonando um relacionamento que a impedia de crescer e a sufocava. Ou, tem medo de criar vínculos profissionais, financeiros ou emocionais.

Infância: Criança abandonada, entregue a si própria, sem protecção, amor e apoio para se poder afirmar. Na ausência de cuidados e protecção familiar, criou uma máscara de invulnerabilidade. Mostra-se pretensamente independente e auto-suficiente para não mostrar a sua necessidade de am or e apoio. Criança rejeitada.

Tratamento: Chegou a hora de largar tudo, as velhas rotinas, os velhos hábitos, as relações e actividades que não fazem mais sentido na sua vida. Seguir sem medo a voz do coração e iniciar um novo ciclo de vida. Nos Evangelhos é a palavra de Jesus: “Larga tudo e segue-me”.

Desenvolvimento: Finalmente a pessoa seguiu a sua voz interior, acreditou em si mesma e decidiu conduzir a sua vida como quer. Iniciou um novo caminho.

Expressão interior: Percebeu o sentido real da sua vida. Abandonou uma vida vazia e resolveu seguir os impulsos do coração. Aprendeu que o principal objectivo da sua vida é estar bem consigo mesmo.

Expressão externa: Largou o emprego ou a actividade que n]ao satisfaziam, e começou a viver de acordo com a sua vontade mais íntima.

domingo, 29 de junho de 2008

Os Arcanos Superiores - VI - Os Amantes

Esta carta tem outros nomes em diferentes baralhos. No Tarot de Marselha é “O Enamorado”; no de Eteilla é “O Vício e a Virtude”; no Tarot Egípcio é “A Indecisão”, e também “Os Dois Caminhos”. Foi Eliphas Levi quem lhe atribuiu o título de “Os Amantes”, mais tarde adoptado por Crowley.
O número atribuído a este Arcano é o 6. O seis é o número que se segue ao 5, que representa o homem físico. Com o seis passa a ser auto consciente.
O número seis é extremamente importante nas nossas vidas, as quais evoluem e progridem em função deste número mágico: o dia tem 24 horas, múltiplo de 6; a hora tem 60 minutos, múltiplo de 6; a circunferência tem 360 graus, múltiplo de 6; os ângulos recto e raso têm 90 e 180 graus, múltiplos de 6; e assim há um número enorme de exemplos.
O 6 é representado pelo hexágono, dois triângulos sobrepostos que formam a estrela de seis pontas, também conhecida como Estrela de David ou Selo de Salomão. O triângulo apontado para cima representa o masculino, o apontado para baixo, o feminino, portanto, o hexágono representa a união do masculino com o feminino, o poder criador.

Símbolo Astrológico: Gémeos
Este Signo do Zodíaco é o símbolo geral da dualidade, expressão de todas as oposições numa tensão permanente e criadora.

Elemento: Ar

Caminho Cabalístico: É o 17º Caminho, unindo Binah, o Conhecimento, com Tipharet, a Beleza. A individualidade, que se equilibrou em Tipharet, a 6ª Sefira, vai a caminho de se aprofundar através do conhecimento de Binah.

Simbologia: Na carta de Crowley quase todos os símbolos são duplos, formando vários opostos. Com o fundo cheio de espadas, indicando seu carácter analítico (espadas é Ar, que representa o intelecto), mostra o casamento do rei negro com a rainha loira e branca.
Esta carta é extraordinária em termos de simbologia. A coroa e a capa de arminho que ambas as figuras usam simbolizam a sua natureza imperial. As crianças, sendo ambas do sexo masculino, simbolizam a natureza masculina da condição imperial mas, também significam o oposto que vive no interior de cada um de nós. Assim, ele segura uma lança, símbolo de Fogo, que também é segura pela criança negra, que é o inconsciente dela. Ela, por sua vez, segura uma taça, que pode representar o Graal, que também é segura pela criança branca, que vive no inconsciente dele. Portanto, ambos são negros e brancos, numa união perfeita dos opostos.
A criança branca segura também um ramo de rosas brancas, símbolo da paz, e a criança negra uma maça, símbolo de agressão e de guerra, na continuação dos pares de opostos.
O leão vermelho e a águia branca são a representação do Enxofre e do Sal alquímicos, a polaridade da Natureza.
As duas mulheres nos cantos superiores são Lilith e Eva, representando a dupla expressão da mulher: a primeira, Lilith, é a mulher instintiva, na plenitude da sua sexualidade, relacionando-se com quem quer, quando quer e como quer, livre de moralismos e tabus; a segunda é Eva, comportada, obediente e submissa. A primeira pode significar também evolução, a segunda involução.
Cupido, com as suas flechas douradas e uma venda nos olhos representa a vontade inconsciente de união com o Todo através do amor passional.
O encapuçado que ocupa o centro da carta celebra o casamento hermético ou alquímico. Atrás da sua cabeça encapuçada, a luz de Kether. A cor da túnica é violeta, a cor do segredo. O segredo, o seu rosto oculto, indica que a razão última das coisas está numa esfera inatingível pelo intelecto. Ao redor dos braços vem os o anel de Moebius, símbolo do infinito, mas também a superfície de um só plano, que dá acesso, segundo alguns, a outra dimensão e a outros níveis de consciência. Este anel ou fita de Moebius é um papiro, que representa o Verbo, a acção de criar, que começa a frutificar no Ovo rodeado por uma serpente que vemos no fundo da carta.
Esta carta mostra, em seu sentido mais elevado, a Criação do Universo pela interacção dos Princípios Feminino e Masculino. Este conceito obrigou durante a Idade Média a transformar a carta, dando-lhe uma aparência e nome diferentes, pois não concordava com a versão oficial da criação do mundo e do homem por um deus masculino. No “Livro de Thot” Crowley diz o seguinte: “A reserva se fez necessária devido ao poder das igrejas repressoras que não só lutavam entre si com a ferocidade do fanatismo, como também estavam interessadas em destruir a ciência nascente que, como instintivamente reconheciam, acabaria com a ignorância e a fé, das quais dependiam seu poder e riqueza”. Isto quer dizer que a ideia de um deus pai todo poderoso, criador do Céu e da Terra e de tudo quanto é visível e invisível, é tão aberrante como a ideia de que, na gestação de um ser humano só intervém o pai, a parte masculina. Tudo na Criação é dual, tudo tem duas polaridades.
A mensagem importante nesta carta é: União. A união dos opostos, a partir da qual tudo é criado, seja uma criança, uma estrela ou uma galáxia.


LEITURA

Situação actual: Pode indicar um momento de união amorosa, um encontro profundo e talvez transcendente, principalmente se acompanhada pelo 2 de Copas (o Amor), ou pelo 6 de Copas (o Prazer).
Pode também significar que se está perante uma encruzilhada, sem saber o que fazer entre continuar na rotina de sempre ou partir para uma vida diferente.

Âncora: Pessoa incapaz de tomar decisões, preferindo que outros e as circunstâncias determinem a sua vida. É uma pessoa anulada em relação ao outro: é a esposa de fulano; é o marido da senhora de tal; é o filho ou a filha de… É uma pessoa que se identifica sempre com o outro e não consigo mesma.

Inconsciente: Esta pessoa precisa de se voltar para si mesma, tomar contacto com os seus lados masculino e feminino e desenvolvê-los. Descobrir dentro de si o que está procurando fora com ansiedade. Desta forma, definir-se, decidir interiormente o que quer ser, que vida quer viver.

Relações afectivas: O casal pode estar a viver em perfeita harmonia, construindo o seu amor, compenetrando-se e complementando-se cada vez mais. Pode também ser excesso de idealismo, o sonho e a procura do príncipe ou da princesa encantada, deixando a vida fugir entre as mãos.

Infância: Criança marcada negativamente pelo clima doméstico, pelas relações entre os seus pais: brigas, ciúmes, jogos de poder em que a criança foi colocada no meio. Possível separação ou divórcio.

Tratamento: O crescimento desta pessoa vai depender de saber o que realmente quer. Escolher e reconhecer as actividades que fazem sentido para o seu Eu interior.

Desenvolvimento: Dependendo das cartas mostradas na coluna, pode indicar uma boa relação afectiva e sexual, ou uma escolha vital muito importante.

Expressão interior: Encontrou o seu verdadeiro caminho. Desenvolveu em si, harmoniosamente, as suas polaridades e pode expressar o seu amor num nível mais elevado.

Expressão externa: A pessoa vive agora amadurecendo numa relação que cada dia faz mais sentido. Podemos dizer que se sente feliz nessa relação.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

OS ARCANOS SUPERIORES - V - O Hierofante

Nas antigas Escolas de Mistérios do Egipto, este título era dado ao sumo-sacerdote ou condutor dos trabalhos da Escola. Significa “aquele que está em contacto com a Divindade.”
O Hierofante é o Arcano n.º 5, que representa o ser humano físico, ou o microcósmico.
O pentagrama, quando na sua posição vertical, apontando para cima, simboliza o poder evolutivo, o poder do amor. Invertido significa exactamente o contrário, o poder involutivo, a magia negra, o poder da sombra.

Símbolo Astrológico: Touro
Este Signo é governado pelo planeta Vénus. O taurino é afectuoso, pacífico mas, quando não aguenta mais explode em grande fúria. É sensual, tímido e apaixonado. Adora a boa mesa e sente atracção por tudo o que é belo. Perfeccionista, muito arraigado aos seus hábitos, é o pior crítico de si mesmo.

Elemento: Terra

Caminho Cabalístico: É o 16º Caminho, unindo Chesed, a Misericórdia, com Chokmah, a Sabedoria.

Simbologia: Na carta de Crowley a figura central é um homem maduro vestindo uma túnica. Com a mão esquerda abençoa, com a direita segura um báculo encimado por três anéis, que representam Ísis, Osíris e Horus.
Este báculo é a chave, que significa em termos esotéricos que é um iniciado e que tem a capacidade de iniciar. É aquele que confere a iniciação aos que a merecem.
No peito vemos um pentagrama na sua posição correcta, dentro do qual vemos também uma criança. Esta criança simboliza o espírito da Nova Era, onde os conceitos de morte e pecado não escravizarão mais o ser humano, que assim poderá viver o seu lado infantil sem medos.
Desenhado sobre o Hierofante vemos um hexagrama, símbolo do Macrocosmos, significando que está em equilíbrio com o Universo.
O Hierofante é ladeado por dois elefantes e está sentado sobre a garupa de um touro. Na Índia, o elefante é Ganesh, filho de Shiva e Parvati, deus e símbolo do conhecimento. O touro é símbolo de poder e estabilidade.
Diante do Hierofante vemos uma mulher com uma espada na mão direita e a Lua na mão esquerda. Para Crowley é a Vénus da Nova Era. É a mulher que não aceita mais o seu papel tradicional de dupla escrava: do macho e do sistema. Armada, vai à luta pelos seus direitos e pela sua libertação. Tendo este baralho sido criado no início do século XX, é notável a previsão de Crowley sobre a libertação da mulher das amarras tradicionais, pelo menos no mundo ocidental, mas, ainda há um longo caminho a percorrer para que a mulher atinja o estatuto de igualdade plena com o homem. Não podemos deixar de referir que as religiões têm sido o principal obstáculo a essa libertação.
Nos quatro cantos da carta vemos quatro máscaras que, para alguns autores, são os guardiães dos santuários e representam também os quatro Elementos e os quatro Signos fixos do Zodíaco. Assim, temos o Leão, que é Fogo, que é Leão, a energia Espírito; a Águia, que é Água, que é Escorpião, as emoções; o Homem, que é Ar, que é Aquário, o intelecto; por último o Touro, que é Terra, que é Touro, o corpo físico.
O chapéu em formato fálico complementa-se com a rosa de cinco pétalas, indicando que a mente masculina, racional e analítica, é insuficiente, que sem o elemento feminino é impossível atingir a sabedoria.
Rodeando a vidreira com a rosa, vemos uma serpente e uma pomba. A pomba é a pureza de intenções, o amor sublimado; a serpente é o amor instintivo.
O Hierofante representa o Princípio Masculino Universal. É o mestre espiritual que ajuda os caminhantes a encontrar a sua divindade interior, o seu Mestre Interior. É o pontífice (ponte) entre a matéria e o espírito.
Durante muitos séculos este significado permaneceu escondido e a carta, em todos os baralhos, chamava-se “O Papa”, pois as religiões, nomeadamente a judaica, a cristã e a muçulmana, fizeram todo o possível por nos fazer acreditar que Deus está fora de nós, que não somos seres divinos nem temos a divindade dentro de nós.


LEITURA

Situação actual: A pessoa está dedicada ao estudo, procurando o conhecimento através do estudo. A segunda carta poderá indicar qual a área de conhecimento que é do seu interesse.

Âncora: O Hierofante nesta posição indica que a pessoa é fanática, seja em termos religiosos, políticos ou filosóficos. A máscara que adoptou não permite o mínimo contacto com as suas emoções e o seu corpo físico. Arrogante, procura sempre impor as suas ideias aos outros. É um catequizador fanático que repete mecanicamente os seus argumentos, convencendo por essa via gente a entrar para a sua igreja, partido político, grupo filosófico ou claque de um clube de futebol.

Inconsciente: Chegou a hora de encontrar a sua verdadeira espiritualidade e não acreditar mais em doutrinas alheias.

Relações afectivas: Sem paixão, interessada apenas em certos temas intelectuais, pessoa limitada a um padrão adquirido de comportamento, ou; passa por saber mais que o outro e acaba por se envolver com pessoas que a consideram “professor” ou “guru”. Das suas verdadeiras emoções ninguém sabe, nem ela própria.

Infância: Criança muito doutrinada, talvez criada numa família demasiadamente religiosa, demasiado rígida, que moldou o seu carácter e acabou com a sua espontaneidade.

Tratamento: Estimular o estudo nas áreas de interesse da pessoa, que pode ser na área profissional, científica ou espiritual. Esta pessoa deverá ser alertada para os vendedores de receitas que pretendem convertê-la a esta ou àquela fé. Será pelo estudo, pela aquisição de conhecimento, que melhor se poderá realiza na vida.

Desenvolvimento: Evolução positiva através do aprendizado de uma profissão, uma ciência ou de um encontro profundo com um Mestre, externo ou interior. O encontro com o seu Mestre Interior é uma dádiva gratificante.

Expressão interior: Esta pessoa encontrou o seu próprio caminho e começa a abrir-se para níveis mais elevados de consciência.

Expressão externa: Pessoa crescida espiritualmente. Pelas suas vivências, pelo seu contacto com o seu Eu interior, compreensão e conhecimento do mundo, está apta a passar a sua mensagem.

OS ARCANOS SUPERIORES - IV - O Imperador

O seu título esotérico é “O Chefe entre os Poderosos”.
É o número 4, simbolicamente relacionado com a cruz e o quadrado. Representa o que é sólido, tangível, manifestado. Simboliza também a Lei, a Ordem e a Estabilidade. O Imperador, seja de um império manifestado, como houve muitos até hoje, seja de um império espiritual, é aquele que manda em todos, nos pobres e nos ricos, nos fracos e nos poderosos; é aquele que dita a Lei, que garante a Ordem e mantém a Estabilidade.
O número 4 está presente na nossa realidade de diversas formas: os 4 pontos cardeais, Norte, Sul, Este, Oeste; os 4 Elementos da matéria, Fogo, Água, Ar, Terra; as 4 letras do nome de Deus em diversas línguas; as 4 fases da Lua; as 4 Estações do Ano; os 4 períodos em que podemos dividir a vida humana, infância, adolescência, maturidade e velhice.
São 4 os Mundos Cabalísticos: Atziluh, o mundo arquetípico; Briah, o mundo da criação; Yetzirah, o mundo da formação; Assiah, o mundo material.
Para Jung, o 4 representa o fundamento arquetípico da psique: Intuição, Sentimento, Sensação e Pensamento.
O ser humano pode ser classificado por 4 aspectos fundamentais: o ser espiritual, o intelecto, o corpo emocional e o corpo físico.

Símbolo Astrológico: Áries (Carneiro)
O ariano é impulsivo, entusiasta, vivaz, dinâmico, ambicioso, empreendedor, directo, orgulhoso, egoísta, violento, primitivo, conquistador, impaciente e, quase sempre, carece de perseverança para concluir o que começou. Adora mandar e odeia obedecer.
É leal, embora inconstante, tendo muita dificuldade em se enquadrar num padrão ou norma. É optimista e cheio de confiança em si mesmo. Entusiasma-se com tudo o que é novo.
Governado por Marte, o planeta regente do Signo de Áries, a palavra-chave do ariano é: Eu Sou!

Elemento: Fogo
Embora possa parecer, Fogo não é o Elemento responsável pelas nossas emoções. Como já vimos, quando falámos da Sacerdotisa, o Elemento responsável pelas nossas emoções é Água. Fogo é o responsável pela explosão dessas emoções, muitas vezes de forma errada. É também o Fogo o Elemento que fomenta a nossa vontade, a energia que nos faz reagir contra a letargia, contra a imobilidade; Podemos dizer que Fogo é o Elemento do nosso descontentamento perante a vida, quando conseguimos fugir aos padrões sociais e tentamos seguir pelos nossos próprios passos.

Caminho Cabalístico: É o 28º Caminho, unindo Yesod, a Fundação, com Netzah, a Eternidade. De acordo com o Sepher Yetzirah, “O 28º Caminho é chamado ‘A Consciência Natural’, porque mediante ela se completou a natureza de tudo o que existe sob a esfera do Sol”.

Simbologia:
A figura da carta representa um homem de meia-idade mostrando o lado esquerdo do rosto, o lado racional, lógico e masculino. Esta forma de mostrar o rosto apenas de um lado, que já vimos também anteriormente, é comum em muitas figuras antigas ligadas especialmente ao ocultismo ou a escolas iniciáticas. É exemplo flagrante os retratos de Louis-Claude de Saint Martin, o fundador do Martinismo, mais tarde reelaborado e recuperado por Papus. Muitos reis, rainhas e imperadores foram também assim retratados, significando com isso que os retratistas sabiam muito bem o que estavam a fazer.
A posição do corpo do Imperador nesta carta representa o símbolo alquímico do enxofre: os braços formando um triângulo e as pernas uma cruz. Para os alquimistas, o enxofre é a energia criativa do Princípio Masculino da Natureza.
As duas grandes cabras selvagens dos Himalaias representam a independência, a valentia e a solidão.
O cordeiro a seus pés significa domesticação, covardia, obediência, servilismo e dependência do rebanho e do pastor – o poder do Imperador sobre os súbditos. É o cordeiro sacrificial, o que se sacrifica em nome de um poder mais elevado. Temos aqui uma consonância com a ideia do “cordeiro de Deus” tão presente no cristianismo.
Para Crowley, estas imagens mostram o papel dos governos, pretendendo transformar seres livres, valentes, instintivos e independentes, em covardes sem identidade e vontade própria, identificados com o rebanho, segurando qualquer bandeira. Esta visão de Crowley é uma visão cruel acerca do papel que os governos e as religiões têm desempenhado, tentando e conseguindo submeter os seres humanos às suas doutrinas. Afinal, vivemos num mundo em que a liberdade é virtual, quer dizer, que não existe de facto, mesmo nas chamadas democracias. Independentemente dos regimes políticos, o ser humano é presa de padrões de comportamento e obrigações que limitam ou eliminam a sua condição natural de ser livre.
Continuando a ver a carta, o escudo com a águia de duas cabeças representa a obra ao rubro dos alquimistas.
Os braços do seu trono mostram a rosa-dos-ventos, indicando que a sua autoridade se dirige em todas as direcções. Na mão direita segura o ceptro com cabeça de carneiro, querendo significar que a sua autoridade é essencialmente mental. A bola coroada com a cruz de Malta que tem na mão esquerda mostra que a sua autoridade foi estabelecida solidamente. Se virmos nesta bola o símbolo de Vénus invertido, isso significará que a energia do Imperador frutificou, isto é, realizou-se na matéria.
A cor vermelha das suas vestes simboliza o poder supremo. De notar que a cor vermelha ou os vários tons de vermelho estiveram sempre associados ao poder – veja-se na Igreja Católica a cor das vestes dos bispos e cardeais, embora ali o poder supremo, o Papa, vista de branco. A cor vermelha é também a cor da vida, do fogo e do sangue.
Como já vimos no caso da Imperatriz, as abelhas e as flores-de-lis pretendem significar poder gerador e frutificante, quer dizer, que o seu poder se consumou e frutificou na matéria.
O Imperador é a carta que melhor representa o poder capitalista: ele representa o poder do dinheiro e suas leis. Bloqueia a sua espiritualidade para conjugar melhor os seus objectivos: “Pensar em trabalhar para produzir”. Trata-se do Princípio Masculino Material. Viciado no poder, o Imperador representa o pai, a autoridade, os poderes legislativo, executivo e judicial.


LEITURA

Situação actual: Mostra a pessoa dedicada fundamentalmente à realização prática de assuntos materiais. Encara a vida de uma forma fria, racional, materialista, competitiva e agressiva. Pessoa esquecida do lado lúdico da vida, não querendo saber dos seus instintos e emoções, os quais bloqueia para não se distrair do seu objectivo principal, que é o de ganhar dinheiro e conquistar poder a qualquer preço.

Âncora: Incapaz de relaxar, trabalhador compulsivo. Jung classificou este tipo de personalidade como uma das formas de Persona, quer dizer, a pessoa identifica-se totalmente com o seu trabalho e não consegue diversificar os seus interesses por outras áreas, mesmo entre a família, os amigos e nos momentos de relaxe, como sejam férias ou fins-de-semana.
Imagina que se não tiraniza os outros, estes acabarão com ele. Considera todos como seus inimigos ou adversários, sempre prontos a derrubá-lo. Não aceita que pode errar e considera conspiração contra a sua autoridade se alguém lhe fizer um reparo.

Inconsciente: Neste caso, quando a carta aparece nesta posição, quer dizer que a pessoa precisa de ser mais dona da sua vida, olhar mais para o lado material. Precisa ser mais firme, racional e metódica.

Relações afectivas: O que mais importa é o lado material – as emoções, o amor, o desejo sexual ficam em segundo plano. Pode estar virado para o trabalho como uma fuga à sua vida afectiva.
Pode também significar um macho reprimido e repressor, incapaz de amar. Relaciona-se apenas para obter vassalos que cumpram os seus desejos, que trabalhem para ele e o enriqueçam.

Infância: Nesta posição a carta representa o pai do consulente. Extremamente autoritário, repressor, que nunca mostrou amor pela criança. Obrigou a criança a normas rígidas e castigos para as normas infringidas.

Tratamento: Procurar disciplinar a sua vida, organizando-se e valorizando-se. Procurar sintonizar-se com os valores materiais, fortalecendo a sua vontade.

Desenvolvimento: Período de trabalho e realização material, com dedicação, firmeza e confiança. Acompanhado do 5 de Copas (frustração) ou do 5 de Ouros (sofrimento), pode indicar um conflito com a autoridade, que pode ser o pai, o patrão, o chefe, e sair provavelmente mais seguro de si mesmo e dono da sua vida.

Expressão interior: Tornou-se senhor da sua v ida, assentou a sua autoridade sobre bases sólidas e realistas.

Expressão externa: Está assumindo um papel de liderança em aspectos económicos e/ou políticos.

domingo, 1 de junho de 2008

OS ARCANOS SUPERIORES - III - A Imperatriz

É o Arcano nº 3, o fruto da união entre o 1 e o 2. Este número pode significar também a vida, pois esta só acontece pela união dos dois números anteriores. É a regra do 3, conforme referimos na carta anterior, que devemos aplicar na nossa vida quotidiana. Aliás, aplicamo-la permanentemente sem termos consciência disso.
É a Trindade, presente em muitas religiões: no hinduísmo é Brama, o princípio criador, Vishnu, o princípio conservador, Shiva, o princípio destruidor, transformador e transcendente; no cristianismo apresenta-se como Pai, Filho e Espírito Santo; no Antigo Egipto era Ísis, Osíris e Horus. No hinduísmo cada um dos princípios tem a sua contraparte feminina, o que não acontece no cristianismo. Mas é no Antigo Egipto que um desses princípios é representado por uma figura feminina, Ísis.
São também três os principais elementos alquímicos: o Enxofre, o Mercúrio e o Sal.

Símbolo Astrológico: Vénus, o planeta que rege o prazer, o amor, a sexualidade, a alegria, a beleza, a doçura e os relacionamentos sentimentais.

Elemento: Água
Como vimos na Sacerdotisa, este Elemento é responsável pelas nossas emoções e sentimentos.

Caminho Cabalístico: 14º Caminho. Um caminho horizontal que une Binah, o Conhecimento, com Schokmah, a Sabedoria.

Simbologia:
Na carta que estamos a estudar vemos uma mulher coroada. Combina a espiritualidade com as suas funções materiais. Tal como no símbolo astrológico de Vénus, acima da cruz da matéria está o círculo do espírito. É a cruz ansata do Antigo Egipto, símbolo da vida e da imortalidade.
Segura na mão direita o lótus de Ísis, que representa o poder feminino, a vagina arquetípica, garantia de fecundidade.
Está sentada num trono, símbolo de poder, projectando sobre o mundo a sua natureza divina.
As várias chamas azuis que rodeiam o trono são indicação de que ela vem das águas de Binah.
O pardal e a pomba pousados em cada lado são as aves atribuídas a Vénus.
A Imperatriz veste roupa estampada com abelhas e espirais. As abelhas indicam trabalho laborioso pois, apesar da sua ascendência divina, não está livre do trabalho material. As espirais são indicação de que a evolução se faz em espiral, numa subida constante mas com vários retrocessos que não atingem o anterior nível mais baixo. As duas luas mostram que nesta carta tudo é equilíbrio – espiritual e material.
Tem a seus pés um pelicano fêmea com as suas crias, significando maternidade.
O escudo verde, cor de Vénus, com uma águia branca de duas cabeças, representa o trabalho ao branco dos alquimistas.
O chão encontra-se atapetado com flores-de-lis, significando iniciação e perenidade, ou seja, a Ísis eterna que conhece os segredos da vida, da morte e da ressurreição.
A sua coroa é formada por duas luas encimadas por uma cruz. Trata-se do símbolo invertido de Vénus, indicando que a sua energia vem do alto para se manifestar no mundo material.
Mostra o lado direito do rosto, o seu lado feminino.
Em suma, a Imperatriz é a Grande Mãe Universal.

LEITURA

Situação actual: Trata-se de uma pessoa que dedica a sua vida aos outros: família, filhos ou pessoas necessitando de ajuda ou apoio. O seu coração transborda de amor que coloca, incondicionalmente, ao serviço dos outros.
Pode também significar que se trata de uma pessoa alienada de si mesma, que não é capaz de lidar com os seus conflitos interiores e as suas carências afectivas. A permanente dedicação aos outros pode também querer dizer que o faz para conseguir a aprovação e o elogio dos outros, sem os quais se vê remetida a uma enorme solidão.

Âncora: A pessoa não acredita em si mesma, acha que só será amada se viver para cuidar dos outros, esquecendo-se de si mesma. Toda a vida viveu como escrava e passa o exemplo para os filhos. Acompanhada do 10 de paus (obsessão) significa escravidão. Acompanhada do Enforcado, indica submissão e grande dificuldade em dizer não. Com o Imperador, o 4 de espadas (trégua) ou o 8 de espadas (interferência), quer dizer que se trata de uma pessoa demasiado rigorosa, que pretende mostrar-se como exemplo de trabalho, dedicação e bons costumes.

Inconsciente: Precisa libertar-se da sua vida obsessiva, gostar mais de si mesma e tratar-se com mais doçura. Precisa ser menos rigorosa e descobrir os prazeres da vida.

Relações afectivas: A Imperatriz nesta posição indica que a pessoa passa por um período de amor e prazer. Pode ser uma boa altura para a concepção. Por outro lado, pode também indicar que se identifica com o papel de “mãe perfeita”, para garantir a aprovação e o afecto dos outros.

Infância: Quando criança, esta pessoa teve uma mãe super protectora, exigente e castradora, impedindo-a de se afirmar e de se tornar um ser humano autónomo e senhor da sua vida. Viu-se obrigada a adoptar um comportamento submisso.

Tratamento: A carta nesta posição indica que a pessoa precisa de colocar mais amor, prazer e sensualidade na sua vida.
Se tiver filhos, assumi-los, amá-los e deixá-los crescer e formar a sua própria personalidade – evitar a tentação do controle. Deve superar a tentação da super protecção e ajudá-los a superar obstáculos, orgulhos e resistências.
Desenvolvimento: Previsão de possível gravidez se for acompanhada pelo 3 de copas (abundância), ou pela Princesa de copas ou de ouros. Mostra o início de uma fase mais amorosa e criativa. Pode também ser um bom momento para começar a desenvolver as suas capacidades artísticas.

Expressão interior: Esta pessoa assumiu-se a si mesma, resgatando a capacidade de sentir amor por si e pelos outros. Se for mulher, sente-se bonita, sensual e capaz de expressá-lo. Se for homem, sente-se também bonito, atraente e capaz de se lançar em grandes voos afectivos ou mesmo eróticos.

Expressão externa: Como resultado da sua entrega, amor e expressão de abundância interior, bons e gratificantes resultados a nível material. Pessoa de grande sensibilidade.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

OS ARCANOS SUPERIORES - II - a SACERTOTISA

Se o zero é a ausência ou a potencialidade de tudo, o um o Princípio Masculino Universal manifestado, o dois é o Princípio Feminino Universal e o complemento ou a contra parte do um. O um não pode existir sem o dois, pois não há luz sem sombra e, quando definimos o bem estamos, ao mesmo tempo, a definir o mal. Por isso os religiosos fanáticos passam o tempo a excomungar os demónios e a exorcizá-los, porque atraem para si as energias opostas e extremadas.
O dois representa a dualidade estabelecida entre o um e o dois, que será completamente realizada no três em resultado dessa união.
Isto parece um jogo de palavras sem sentido, um jogo abstracto de números sem qualquer significado. Mas, se olharmos para a natureza, esta é a dualidade permanente, é o um e o dois, sem os quais nada acontece e nada se realiza, É a regra do três que os iniciados conhecem há muito tempo, representada nas religiões através das várias trindades, embora na trindade hindu cada um dos elementos tenha as duas polaridades, o masculino e o feminino. A trindade cristã, de origem judaica, é representada apenas no masculino, o que é um contra-senso pois sem o feminino nada é possível realizar-se. Isto é devido à tradição judaica ser essencialmente patriarcal, dando ao feminino um valor muito reduzido, o que foi herdado pelo cristianismo.

Símbolo Astrológico: Lua
A Lua é o astro mais rápido do Zodíaco e a sua influência faz-se sentir em tudo o que é cíclico e flutuante. Responsável pelas marés, governa também a fertilidade e o crescimento. Em função da velocidade com que circula no céu do
Zodíaco, representa mudança e movimento. É símbolo de tudo quanto está oculto e encontra-se frequentemente ligada a cultos de bruxaria e de magia. Presente no inconsciente motiva as crenças mais primárias e fomenta a ilusão.
Juntamente com Mercúrio governa a memória; com Marte os instintos.

Elemento: Água
Este Elemento é responsável pelas nossas emoções e sentimentos. Da mesma forma que a Rainha de Copas, cujo Elemento preponderante é Água, a Sacerdotisa, de um modo mais efectivo, é a dona do nosso corpo emocional. Rege a nossa imaginação, sensibilidade e a capacidade de imprimirmos nos nossos sonhos as nossas emoções mais profundas.

Caminho Cabalístico: 13º Caminho. Une Tipharet, a Beleza, com Kether, a Coroa, atravessando o desconhecido que na Cabala se chama “Daat” ou “Abismo”. É um caminho central que atravessa essa zona escura da Árvore da Vida, que mais não é do que a representação das nossas emoções mais profundas, do mar profundo e interior em que mergulham e que temos dificuldade em atingir.
Em termos psicológicos, “Daat”, o Abismo, representa a sombra que vive no interior de cada um de nós e que temos muita dificuldade em enfrentar. Enfrentar a sombra requer uma grande dose de coragem, pois trata-se de assumir o nosso lado mais obscuro, aquilo que se esconde no fundo do inconsciente e que representa os nossos instintos mais primários. Assumir a sombra é um passo muito importante no caminho do iniciado, pois de outro modo a sua evolução ao encontro da luz se encontrará comprometida. Nós somos a luz e a sombra, o bem e o mal, dependendo de como nos manifestamos perante a vida. O segredo está em admitir que somos seres duais e assim procurar o equilíbrio dinâmico não só entre as nossas duas polaridades, o masculino e o feminino, mas também procurar desactivar o nosso lado sombra sobreponde-lhe o nosso lado luz.

Simbologia:
A Sacerdotisa é Ísis, a maior deusa do Antigo Egipto e talvez a maior de toda a Antiguidade. Ísis, a Senhora da vida, da morte e da ressurreição, foi cultuada durante milénios em toda a bacia mediterrânica e na Europa do sul. Tomou vários nomes em função dos cultos locais, mas era sempre a mesma deusa representada nas suas múltiplas formas. Ela é as várias virgens negras que apareceram em inúmeros lugares, sobre os quais, em alguns casos, se construíram catedrais; ela é Madalena, a prostituta arrependida para o patriarcado cristão e a esposa de Jesus conforme algumas teorias recentes; ela é as várias Virgens e Senhoras do actual panteão católico; ela é, em suma, a Grande Mãe da tradição pagã.
Por influência religiosa do cristianismo, durante séculos a maioria dos baralhos apresentava esta carta com o nome de Papisa, como ainda hoje acontece. Para o mundo católico, o termo Sacerdotisa era uma heresia, e por isso o seu nome foi substituído pelo de Papisa, o que na realidade não melhorou as coisas, pois Papisa implicava aceitar que uma mulher poderia ocupar a “cadeira de São Pedro” ou, pior, que o Papa poderia ter uma consorte. Crowley devolveu-lhe o nome ancestral de Sacerdotisa, muito mais de acordo com a sua função tradicional de regente de cultos e rituais.
A Sacerdotisa é Ísis vestida com as vestes sacerdotais. É a fonte mágica e energética da criação, da fecundidade e transformação.
Na carta que estudamos, é Artemisa, a deusa da Antiga Grécia, uma expressão de Ísis transformada em deusa grega. Em Roma é Diana.
Depositária da sabedoria oculta, ela encarna o Princípio Feminino Universal.


LEITURA

Situação actual: A pessoa vive um período de grande recolhimento, afastada do mundo e sem vontade para nada. Pode tratar-se de um período de descoberta interior, observando-se a si mesma e tentando compreender as suas emoções mais profundas. Pode também tratar-se de um período de grandes dificuldades em tomar iniciativas, por medo, falta de inspiração ou falta de objectivos claros. A segunda carta ajudará a decifrar qual das situações por que está a passar. Se for necessário, uma terceira carta reforçará a tendência mostrada nas duas primeiras.

Âncora: Esta posição, como já vimos, é a que concentra a atitude que a pessoa adoptou para a sua vida, fruto de experiências mal resolvidas, de influências recebidas da família e da sociedade, de padrões de comportamento que acabam por limitar a liberdade individual e a capacidade de se tornar uma pessoa livre de amarras de paradigmas ou dogmas.
A Sacerdotisa nesta posição significa que a pessoa se deixou cristalizar numa atitude de grande timidez e desconfiança. Desconfia de tudo e de todos. Extremamente tímida, é incapaz de se entregar ao fluir natural da vida. A falta de confiança impede-a de partilhar com os outros as suas emoções e as suas ideias. Incapaz de entregar mo seu corpo às sensações físicas e aos desejos. Tem medo de agir, de tomar iniciativas, de mostrar o que realmente sente. Como a tartaruga, vive no interior de uma casca, dentro da qual se sente segura das ameaças que o mundo lhe inspira. Pode mostrar uma máscara de espiritualidade e misticismo, para não mostrar o seu medo da vida. Junto com o 8 de copas (indolência), pode indicar profunda depressão.

Inconsciente: A Sacerdotisa nesta posição indica que a pessoa precisa de parar o seu ritmo de vida e acalmar o seu coração. Deve meditar sobre as suas motivações e tentar identificar os seus verdadeiros desejos e emoções – não se deixar ir na onda. Deve tentar ganhar confiança nas suas capacidades.

Relações afectivas: Distanciamento, clausura. Corte de laços afectivos e sexuais. Se for mulher, prováveis sintomas de frigidez; se for homem, impotência. Teme a proximidade dos outros e dá-se ares de superioridade e de falsa espiritualidade. Puritana. Forte tendência para seguir uma vida monástica, onde as questões de natureza sexual se encontram ausentes ou reprimidas. Em termos sexuais é provável que seja virgem.

Infância: Infância infeliz onde a criança se viu impedida de tomar qualquer iniciativa, qualquer atitude activa ou criativa. Filha de pais castradores: “está quieto!”, “não chateies!”, “não mexas aí!”, “sai daí!”, “vai brincar para o teu quarto!”, etc. Transformou-se assim num ser anulado, rejeitado, proibido de se manifestar. Criou um mundo de fantasia cheio de fadas, príncipes e princesas, para atenuar o mundo cinzento em que vivia.

Tratamento: Parar o movimento compulsivo e virar-se para si mesmo, para o seu interior, ligando-se a sentimentos e emoções. Dedicar-se mais a si mesmo e deixar de lado actividades e relacionamentos pouco satisfatórios. Procurar desenvolver o seu lado feminino: sensibilidade, receptividade, meditação e espiritualidade. Se tem tendência ou atracção pelo oculto, começar a dedicar-se a estudar as ciências ocultas.

Desenvolvimento: A Sacerdotisa aqui indica que a pessoa atingiu um patamar de grande tranquilidade e paz interior. Mais consciente das suas emoções e desejos, atravessa uma fase mais receptiva e tranquila, desenvolvendo a intuição e o seu interesse pelo oculto. Por este caminho, vai sentir-se mais plena e completa, em harmonia com a vida.

Expressão interior: Pessoa mais consciente do seu mundo interior e aberta para a vida, com francas possibilidades de resgatar a sua parte feminina.

terça-feira, 13 de maio de 2008

OS ARCANOS SUPERIORES - I - O MAGO

Ao contrário do que o título desta carta pode dar a entender, o Mago não é aquele que se dedica à magia ou a outras formas de ilusionismo ou ocultismo. O Mago é o ser humano masculino de posse das suas qualidades de poder e clarividência, adquiridas por experiências ao longo da vida. O Mago é aquele que aprendeu com as experiências boas ou menos boas. Por isso, como vemos na carta, é o portador do bastão, símbolo do seu poder e clarividência. O bastão dos peregrinos do Caminho de Santiago tem o mesmo significado.
Ele é a personificação de Mercúrio, o deus da comunicação, o inventor do fogo.
Sendo o nº 1, é o Princípio Masculino Universal. Mas, como veremos adiante, precisará do dois, para se poder realizar plenamente. O um, que depois do zero é a potencialidade concentrada, é estéril se permanecer isolado. O um é já o manifestado, mas ainda não realizado completamente.

Elemento: Fogo

Caminho Cabalístico: É o 12º Caminho, que une Binah, o Conhecimento, a Kether, a Coroa.
Este caminho mostra o estado de consciência livre das aparências do mundo dos fenómenos. É o estado da bem-aventurança, o estado puro da contemplação espiritual, discernindo a realidade da ilusão. É o estado de iluminação ou de harmonização com a Consciência Cósmica.

Símbolo Astrológico: Mercúrio.
É o poder da mente racional, o poder da análise, de extrair e ir aprendendo com as experiências. É a aplicação prática do conhecimento adquirido. Segundo a tradição, Mercúrio é o mensageiro dos deuses.
Na carta que estamos a estudar, o Mago é Mercúrio, rodeado dos 4 Elementos ou séries de Arcanos Menores:
Bastão (paus) – o fogo criador.
Taça (copas) – conserva o que criou.
Espada (espadas) – destrói o que deve ser destruído.
Disco (ouros) – redenção.


LEITURA

Situação actual: A pessoa encontra-se num período de grande e intensa actividade. Não consegue abrandar, esquecida de si mesma dirige a sua atenção para objectivos exteriores. O racionalismo tomou conta de todo o seu ser, não há lugar para questões interiores e, muito menos, espirituais. Esgota a sua energia na intensa actividade que desenvolve. Corre o risco de ter um esgotamento nervoso ou passar por um período agudo de grande “stress”.

Âncora: Esta posição reflecte também o que dissemos na anterior. Ego compulsivamente activo. Não consegue parar para descansar e refazer as energias. Não consegue interessar-se por mais nada a não ser nos trabalhos onde esgota o seu potencial energético. Extremamente exigente consigo mesmo, tem medo de se decepcionar. Então continua assumindo cada vez mais responsabilidades para as quais já não tem capacidade. Dependendo de um segunda carta, que pode reforçar ou diminuir esta situação, vive desprendido das suas intuições, dos seus instintos naturais e do seu corpo físico, o qual acabará por sofrer as consequências. Mente sobrecarregada.

Inconsciente: O pedido de socorro do seu inconsciente diz-lhe que tem de superar os bloqueios que o impedem de agir, bloqueios que acabam por dominá-lo e influenciar a sua forma de encarar as coisas. Tem de ganhar confiança em si mesmo, acreditar nas suas ideias e pô-las a funcionar, usando a inteligência de que é possuidor. Definir claramente os objectivos que quer para a sua vida e ir em frente.

Relações afectivas: Trata-se de alguém com muita dificuldade em se relacionar a nível físico. Vive pensando nos seus projectos e o seu tempo se resume a isso. Dificilmente consegue apaixonar-se e ter uma relação duradoura com o companheiro(a). Os seus relacionamentos são efémeros, a não ser que encontre alguém que aceite a sua maneira de ser. Não consegue concentrar-se e vivenciar uma relação íntima e afectiva.

Infância: Na infância não conseguia receber carinho e amor a não ser que se revelasse uma criança super dotada e inteligente. Os pais exigiam dele(a) que fosse o melhor de todos, que fosse o mais esperto, que tivesse as melhores notas, pois assim lhe retribuíam com alguma atenção. Por este motivo, sentiu-se compelido inconscientemente a desenvolver o seu lado racional, ignorando e anulando as emoções e os afectos. Tornou-se assim uma pessoa fria e calculista.

Tratamento: Tem que acordar do adormecimento em que tem vivido. Começar a agir, movimentar-se, idealizar projectos e colocá-los em prática. Tem que passar a comunicar mais, a ir à luta com vontade. Pessoa possuidora de notáveis qualificações, tem que usar o seu conhecimento, escolher projectos e colocá-los em acção. Fazer como Mercúrio.

Desenvolvimento: Esta pessoa aproxima-se de uma fase extremamente activa na sua vida. Projectos antigos vão ser recuperados e colocados em andamento. Com a cabeça cheia de ideias, é possível que faça algumas viagens, não só por lazer, mas também para prosseguir com os seus projectos. Vai estar em permanente movimento.

Expressão interior: Pessoa confiante nas suas capacidades e segura do que quer. Conseguida essa paz interior, vive momentos de grande inspiração. Conseguiu superar os bloqueios e as cristalizações que não a deixavam agir e tomar iniciativas. Deixou de ter medo das coisas e do mundo.

Expressão externa: A sua paz interior manifesta-se na forma como encara as relações mundanas, agindo com confiança e decisão e realizando os projectos idealizados. As capacidades mentais fortemente beneficiadas por esta tranquilidade.

OS ARCANOS SUPERIORES - 0 - O LOUCO

O Louco é o vazio primordial. É a emanação de tudo. O vazio onde as partículas elementares aparecem e desaparecem. Mas o vazio é pleno de energia incomensurável.
Por outro lado, o Louco também representa a criança que vive em cada um de nós, no aspecto positivo da inocência ou no aspecto negativo da irresponsabilidade.
Na sua pureza primordial, o Louco é o início do caminho, é a primeira iniciação no contacto com a vida. Mais tarde irá passar por outras iniciações mas aqui, é a criança sem mácula, a inocência lançando-se na aventura da manifestação e da vida.
Na maioria dos baralhos, o Louco é a 22ª carta. Aqui é a primeira ou a última, conforme se quiser, pois o seu número é o zero. Eu prefiro considerá-la a primeira pois, é o início do caminho. Talvez no fim, quiando atingirmos a 22ª casa, o Louco volte a estar presente e seja, nessa altura, o ser iluminado, fruto da sabedoria adquirida ao longo de todas as iniciações por que passou. Entretanto, sendo ainda pura inocência, é a potencialidade de tudo, para o bem ou para o mal.

Símbolo Astrológico: Urano
Elemento: Ar.
Caminho Cabalístico: 11º Caminho, unindo e equillibrando Chokmah, a Sabedoria, com Kether, a Coroa. Em direcção ascendente conduz ao Caos, ao não manifestado e, em direcção descendente é o espírito em sua pureza projectando-se rumo à manifestação.
O zero, rrepresentando o vazio, não é a ausência de tudo, mas a potencialidade de tudo. É o YIN e o YANG da filosofia oriental, os princípios feminino e masculino rfeunidos numa única carta.
Na Cabala une e equilibra Chokmah com Kether. É o caminho dos iluminados.

LEITURA

Situação actual: A pessoa está a ponto de iniciar uma nova fase na sua vida, ou romper com amarras que não a deixavam agir. Está num ponto de ruptura com os padrões a que se habituou. Pode estar confusa, sem saber exactamente o que fazer, mas sabe que quer mudar, o que já é uma boa motivação. Uma terceira carta pode indicar em que aspectos é que se está a processar a mudança. No entanto, estas duas primeiras cartas já indicam com bastante clareza como é que essa mudança se está a processar. Como já foi explicado, a segunda carta reforça ou atenua o que é indicado no primeira, portanto, nesta posição, temos que ler as duas cartas em conjunto. Por exemplo, se esta segunda carta for o Ás de paus, a tendencia para mudar é muito reforçada. Mas se for o 2 de paus, já as coisas mudam completamente, pois significa que a pessoa se debate entre agir ou não agir, entre o que a sua intuição lhe diz e o que a cabeça pensa.

Âncora: Pessoa psiquicamente fixada na infância. Insegura, dependente dos pais, incapaz de assumir responsabilidades na sua vida. Parasita. Inseguro e dependente mas tentando parecer auto-suficiente. Gosta de tomar atitudes exóticas para chamar a atenção. Trata-se de alguém que não cresceu, que permaneceu agarrado à infância. Tem medo de enfrentar o mundo, incapaz de se manter num emprego estável ou numa actividade criadora estável. Vive à custa dos outros, se não forem os pais, outros serão. Tendência para aderir a movimentos que não dêem trabalho mas chamem bastante a atenção, como muitos dos movimentos actuais autodenominados de Nova Era.

Inconsciente: O Louco nesta posição significa que a pessoa tem necessidade inconsciente de resgatar o seu lado infantil, de viver mais cada momento e levar a vida menos a sério. Deixar de se julgar e julgar os outros. É uma situação de difícil saída pois a demasiada seriedade está impregnada no seu modo de encar a vida, adquirida talvez porque tenha tido a necessidade de se tornar adulto muto cedo e de assumir responsabilidades inadequadas para a sua idade.

Relações afectivas: Comportamento infantil nos seus aspectos mais negativos. Vive chamando permanentemente a atenção para si e para os seus problemas. Se o companheiro(a) não lhe dá atenção devida, sente-se abandonado e deprimido. Por outro lado, pensa que pode fazer os maiores disparates, pois o seu companheiro(a) tem obrigação de perdoá-lo e de amá-lo.

Infância: Não teve infância. Sempre ouviu: seja responsável, veja se faz alguma coisa de jeito. Foi obrigado a ser adulto quando ainda era criança. Talvez filho(a) de pais autoritários e castradores que não deixaram a criança expressar-se, obrigando-a desde muito cedo a comportar-se e a ter atitudes de adulto.

Tratamento: Esta posição indica que a pessoa precisa de se abrir para uma nova vida, resgatar a criança que não foi, levar a vida menos a sério, agir com mais naturalidade e espontanedade e não ter medo do desconhecido e do que a vida lhe reserva..

Desenvolvimento: A carta aqui indica-nos que a pessoa está no início de um caminho em que vai redescobrir o mundo e a si mesma. Vai renascer para a vida de uma forma diferente, mais consciente do seu lado criança há muito adormecido dentro de si.Vai começar a enfrentar o mundo como uma aventura maravilhosa e não como um calvário, sem medos e sem traumas.

Expressão interior: O ser infantil recuperou o seu lugar. Agora é capaz de expressar as suas emoções de forma mais espontânea.

Expressão externa: Joga-se numa nova fase da sua vida estimulado(a) pela aventura e pelo desconhecido. É a criança em todos os seus aspectos positivos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A LEITURA

A Leitura deve serf feita pela ordem que acabámos de ver.
Em primeiro lugar as cartas de diagnóstico: Situação Actual (1-2), Âncora (4), Inconsciente (7) e Relações Afectivas (8).
Depois do diagnóstico lemos as restantes cartas: Infância (9), que nos fala da programação da pessoa; Tratamento (5), que nos indica a forma como superar os problemas que vêm de trás e que estão reflectidos na Âncora, Desenvolvimento (6), que nos indica a forma como a pessoa poderá evoluir; Expressão Interior (3), que nos fala do estado da pessoa interiormente, se está ou não num caminho evolutivo; Expressão Externa (10), que nos mostra a forma como a pessoa se expressa para o mundo.

O BARALHO
O baralho que usamos é constituído por 78 cartas. Descriminamos a seguir todas as cartas, indicando também, para referências futuras, a sua correpondência astrológica:

22 Arcanos Maiores
0 O Louco Ar – Urano
I O Mago Mercúrio
II A Sacerdotisa Lua
III A Imperatriz Vénus
IV O Imperador Áries
V O Hierofante Touro
VI Os Amantes Gémeos
VII O Carro Câncer
VIII A Justiça Libra
IX O Eremita Virgem
X A Fortuna Júpiter
XI A Luxúria Leão
XII O Enforcado Água – Neptuno
XIII A Morte Escorpião
XIV A Arte Sagitário
XV O Demónio Capricórnio
XVI A Torre Marte
XVII A Estrela Aquário
XVIII A Lua Peixes
XIX O Sol Sol
XX O Aeon Fogo – Plutão
XXI O Universo Terra – Saturno

Como se pode verificar, estão atribuídos os 12 Signos do Zodíaco, os 10 Planetas (excluindo a Terra), e os 4 Elementos.

16 Figuras da Corte
Paus Fogo Cavaleiro
Copas Água Rainha
Espadas Ar Príncipe
Ouros Terra Princesa

Temos aqui os 4 Elementos ligados aos naipes e às Figuras da Corte.
Da mesma forma que acontece com os baralhos normais de jogar, cada uma das 4 Figuras é de um naipe diferente. Assim, temos o Cavaleiro de Paus, de Espadas, de Copas e de Ouros. Com as restantes figuras acontece o mesmo.
Na Leitura, o Cavaleiro de Paus tem o aspecto do Elemento Fogo reforçado (Fogo x 2); o Cavaleiro de Copas é o aspecto de Fogo em Água; o de Espadas será o aspecto de Fogo no Ar; o Cavaleiro de Ouros é o aspecto de Fogo na Terra. Já vimos isto no capítulo inicial sobre as Figuras da Corte.

A correspondência astrológica das Figuras da Corte é algo complexo. Sendo 16 as Figuras e 12 os Signos, teremos de deixar 4 Figuras de fora. As restantes cartas são atribuídas a 2 Signos, cada carta oupando o último decanato de um Signo e os 2 primeiros decanatos do Signo seguinte.
Aleister Crowley retirou as 4 Princesas desta correspondência dizendo que, apesar de representarem 4 tipos de seres humanos, são pessoas elementares que reconhecemos pela falta de qulalquer sentido de responsabilidade e cujas qualidades não parecem ter nenhuma firmeza. Assim temos:

Cavaleiro de Paus Escorpião – Sagitário
Cavaleiro de Copas Aquário – Peixes
Cavaleiro de Espadas Touro – Gémeos
Cavaleiro de Ouros Leão – Virgem
Rainha de Paus Peixes – Áries
Rainha de Copas Gémeos – Câncer
Rainha de Espadas Virgem – Libra
Rainha de Ouros Sagitário – Capricórnio
Príncipe de Paus Câncer – Leão
Príncipe de Copas Libra – Escorpião
Príncipe de Espadas Capricórnio – Aquário
Príncipe de Ouros Áries – Touro

40 Arcanos Menores
Numeradas de 1 (Ás) a 10, são idênticas às cartas normais de jogar. Representam particularidades do ser humano e aspectos da natureza humana.

Paus Aspecto energético
Copas Aspecto emocional
Espadas Aspecto intelectual
Ouros Aspecto físico

Crowley sistematizou a atribuição astrológica dos Arcanos Mednores. Assim, atribuiu aos Ases um quadrante astrológico:

Ás de Paus Câncer – Leão – Virgem
Ás de Copas Libra – Escorpião – Sagitário
Ás de Espadas Capricórnio – Aquário – Peixes
Ás de Ouros Áries – Touro – Gémeos

Nas restantes cartas fez a seguinte atribuição: para cada Elemento (Fogo, Água, Ar, Terra) atribuiu um Signo Cardinal, um Signo Fixo e um Signo Mutável.


Paus Fogo Áries (Cardinal) 2 – 3 – 4
Leão (Fixo) 5 – 6 – 7
Sagitário (Mutável) 8 – 9 – 10
Copas Água Câncer (Cardinal) 2 – 3 – 4
Escorpião (Fixo) 5 – 6 – 7
Peixes (Mutável) 8 – 9 - 10
Espadas Ar Libra (Cardinal) 2 – 3 – 4
Aquário (Fixo) 5 – 6 – 7
Gémeos (Mutável) 8 – 9 – 10
Ouros Terra Capricórnio (Cardinal) 2 – 3 – 4
Touro (Fixo) 5 – 6 – 7
Virgem (Mutável) 8 – 9 – 10

Terminada esta apresentação do baralho e das suas atribuições astrológicas, podemos iniciar o estudo de cada carta individualmente, tendo sempre como método a sua colocação na Cruz Celta

O BARALHO, O MÉTODO, O LOCAL E A LEITURA

O Baralho
O baralho que usaremos é o que foi idealizado por Aleister Crowley. Convém que o estudante adquira um destes baralhos o mais rápido possível pois, de outro modo será difícil seguir as explicações que serão dadas.
O baralho é pessoal e não deve ser manipulado por outras pessoas. Deve ser personalizado, magnetizado com a nossa energia.
Há algumas sugestões dadas por certos autores para magnetizar um baralho, desde dormir 7 noites seguidas com o baralho debaixo da almofada da cabeça, até passar uma noite inteira velando as cartas. Cada um fará como bem entender, mas a minha sugestão é bem mais simples: o baralho ficará magnetizado desde que manipulado apenas pelo seu proprietário, sem necessidade de nenhum ritual específico.
Como cada baralho é individual e só deve ser manipulado pelo seu guardião, seu proprietário, evitar fotografá-lo, filmá-lo ou mostrá-lo desnecessariamente a pessoas apenas curiosas. Deve ser tratado como uma jóia de uso exclusivo do seu guardião para estudo ou leituras. Deve ser guardado, de preferência, embrulhado num pano de seda ou de um outro tecido não sintético.

O Método
Vamos começar por abrir o baralho para a Leitura Terapêutica, segundo Veet Pramad, mas que eu chamo de Leitura Dinâmica. Esta forma de Leitura, também chamada de Cruz Celta, é uma leitura completa que nos indica o passado, o presente e o que o futuro pode reservar.
Inicialmente iremos aprender como tratar o baralho e a colocação das cartas sobre a mesa. Sabida a posição de cada carta sobre a mesa e o significado de cada posição, iremos aprender então o significado de cada carta, uma por uma, e a sua interpretação em cada uma das posições da Cruz Celta.
No final, quando estivermos familiarizados em esta forma de Leitura, iremos aprender outras, como a Leitura do Mago, a Leitura Astrológica, a Leitura do Triângulo e a Leitura Cigana. Não aprenderemos a Leitura da Arvore da Vida porque é necessário possuir-se um grande conhecimento da Cabala.

O Local
Embora alguns autores sugiram que o local da Leitura deve ser especialmente escolhido, qualquer local é bom desde que consigamos criar uma atmosfera de silêncio e cumplicidade entre o leitor e o consulente. Uma Leitura de Tarot é um assunto entre duas pessoas apenas, ninguém mais deve estar presente, mesmo que seja família, marido, esposa, namorado ou namorada. Procurar um lugar em que haja a menor interferência possível.
A mesa deve ser, em princípio, redonda. Sobre ela colocar um pano branco de lã ou em tecido não sintético, nada mais, nenhum outro objecto. No meu caso pessoal costumo acender apenas uma vela. Sobre o pano branco será aberto o pano de seda que envolve o baralho.
Convém que ambos, o leitor e o consulente, estejam descalços, que deixem os sapatos à entrada da sala ou compartimento em que vai ser feita a Leitura.
Antes de começar a Leitura deve ser feito um período de meditação e relaxamento com respirações profundas.
Evitar que o consulente fale compulsivamente, dando informações que podem alterar a abordagem intuitiva da Leitura. Mas estar atento à linguagem corporal e energética do consulente, que podem fornecer pistas, complementando a revelação das cartas.
Preparado assim o ambiente propício à Leitura e com o baralho sobre o pano de seda desdobrado sobre a mesa, o leitor escolherá a carta testemunha, que será a carta que representará o consulente. Há formas simples de escolher a carta testemunha, como por exemplo, escolher a Sacerdotisa se o consulente for mulher, e o Mago se for homem. Esta é uma forma simplista e pouco confiável, pois a carta testemunha deve corresponder, na medida do possível, à personalidade física e psíquica do consulente, portanto, deve haver o máximo cuidado e atenção na escolha.
Pessoalmente prefiro usar a sugestão de Veet Pramad, que é a de escolher uma das Figuras da Corte, um conjunto de 16 figuras, 8 femininas e 8 masculinas, entre as quais podemos encontrar aquela que corresponda, o mais próximo possível, às características do consulente. Uma boa táctica será tentar saber o Signo de nascimento do consulente e o seu Ascendente. Por experiência sei que a grande maioria das pessoas sabe o seu Signo mas desconhece o Ascendente. Por exemplo, se o consulente é do Signo de Câncer e tem o Ascendente em Aquário, a minha escolha recairia sobre a Rainha de Espadas, se for mulher, ou sobre o Príncipe de Copas, se for homem. E porquê? Porque o Signo de Câncer tem como elemento a Água e o Signo de Aquário o Ar. O elemento das Rainhas (Copas) é Água e dos Príncipes (Espadas) é Ar. Não sabendo o Ascendente poderemos chegar a uma escolha usando apenas o Signo e operando por intuição e por observação da linguagem corporal do consulente.
Escolhida a carta testemunha e com o consulente já relaxado através das respirações profundas, vamos invocar a presença de Entidades Espirituais Superiores, para nos ajudarem no trabalho. Existem inúmeras invocações, cada um deve encontrar a sua. Crowley sugere:
“Eu te invoco IAO, para que envies HRU, o grande anjo que preside às operações desta Sabedoria Secreta e coloque sua mão invisível nestas cartas consagradas à arte, para assim conseguir conhecimento verdadeiro das coisas ocultas, para glória do teu nome inefável. Amem!”
Para estabelecer uma ponte entre o leitor, o consulente e as cartas, sugerimos pedir ao consulente para colocar a sua mão esquerda sobre o baralho, fechar os olhos e fazer umas três ou quatro respirações profundas.
Após esta operação, que não deve durar mais do que um minuto, é altura de baralhar as cartas. Deve-se fazê-lo em 3 séries de 4 movimentos: em cada série, os três primeiros movimentos são iguais, dividindo o baralho em dois e inclinando-as para dentro, deixando as cartas entrelaçar-se umas nas outras; o quarto movimento de cada série consiste em segurar o baralho com uma mão e deixar as cartas cair na outra mão, sobreponde-se umas às outras.
Depois de baralhadas, pedir ao consulente para cortar o baralho com a mão esquerda. Depois do corte, o leitor junta o baralho e coloca-o no seu lado esquerdo.
Chegou a altura de expor as cartas na tradicional Cruz Celta, pela ordem que indicamos abaixo. Isto deve ser feito com a mão esquerda. As cartas 1 e 2 colocam-se cruzadas sobre a carta testemunha.
Depois, em cruz e seguindo o movimento dos ponteiros do relógio, colocar em cima, do lado do consulente, a carta 3, à direita da cruz a carta 4, em baixo a carta 5, do lado esquerdo da cruz a carta 6. Depois, do lado direito, no sentido do leitor para o conulente, uma fileira de cartas, nºs 7, 8, 9 e 10.

A Leitura segue a seguinte ordem: (VER DESCRIÇÃO DA CRUZ CELTA)

Cartas 1 e 2 – Situação actual.
A carta nº 1 mostra o momento que a pessoa está a viver, sua atitude perante a vida e sua atmosfera actual.
A carta nº 2 cruza a primeira e pode conter os efeitos da primeira, algo que está incubado e pronto a manifestar-se. Pode mostrar bloqueios em relação à evolução mostrada na primeira carta. Pode reforçar as potencialidades da 1ª carta ou bloquear essas potencialidades. As cartas cruzadas representam o par de forças que correspondem à dinâmica da vida da pessoa. Em caso de dúvidas, tanto nesta como nas outras posições que veremos a seguir, poderemos tirar do baralho mais cartas para reforçar a leitura.

Carta 4 – Âncora
Veet Pramad chama Âncora à carta nesta posição. Tradicionalmente esta é a carta que revela o resultado do passado e que pode influenciar o presente. É o estado em que a pessoa se fixou, devido a toda a experiência passada. São os estados psíquicos, as cristalizações, os hábitos, tudo adquirido durante a vida e que condicionam a personalidade actual: traumas que devem ser superados; máscaras que devem ser desfeitas; nós que devem ser desatados. Esta posição é o eixo em que a pessoa se fixou e que deve ser transposto para permitir a realização pessoal e para que a pessoa se transforme e amadureça.

Carta 7 – Inconsciente
Esta posição mostra o que a pessoa está a precisar com urgência. O que precisa fazer para se libertar. É um pedido de socorro que vem do seu interior e do qual a pessoa nem tem consciência.
Carta 8 – Relações afectivas
Esta posição mostra como a pessoa se relaciona com os outros a nível íntimo, afectivo e sexual.

Carta 9 – Infância
Trata-se da infância da pessoa, como é que foi vivido o seu primeiro período de vida. Esta posição relaciona-se directamente com a Âncora, pois a forma como foi vivida a infância influencia fortemente a personalidade actual. As experiências boas ou más marcam a personalidade para o resto da vida.

Carta 5 – Tratamento
Esta posição indica o caminho a seguir para ir anulando os bloqueios e cristalizações mostradas na Âncora e na Infância, melhor dizendo, pelas cartas abertas até este momento. Uma segunda carta pode indicar o que fazer para reforçar a individualidade da pessoa.

Carta 6 – Desenvolvimento
Esta carta indica se a pessoa está no caminho do desenvolvimento interior, num caminho evolutivo, ou não. Se a carta for de aspecto positivo, a pessoa está no bom caminho no sentido da evolução interior para se tornar num ser mais elevado. A carta negativa mostra o que é preciso lapidar para que a pessoa consiga superar os seus aspectos negativos.

Carta 3 – Expressão Interior
Esta posição mostra como a pessoa se encontra interiormente, se em paz consigo mesma, se está assumindo o domínio da sua própria vida, ou não. Uma carta positiva mostra que a pessoa está em plena realização da sua vida, assumindo os riscos que ela comporta. Se for negativa, mostra que a pessoa continua presa a velhos temores de que tem dificuldade em libertar-se.

Carta 10 – Expressão Exterior
Esta última posição mostra como a pessoa se expressa para o exterior, como são as suas relações sociais, profissionais e familiares. Mostra o que a pessoa é, de facto, em face do mundo.

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

TAROT DE THOT - Introdução

INTRODUÇÃO

Pode parecer estranho que faça a introdução ao curso de Tarot depois de vários textos em que abordei de forma sintética as Figuras da Corte e os Arcanos Menores. A intenção foi a de apresentar de maneira simples os elementos com que vamos lidar, não só o significado das cartas, mas também a sua correspondência astrológica e cabalística.
Este curso é baseado no Livro de Thot, da autoria do grande mago do início do século XX, Aleister Crowley, e na análise de Veet Pramad, um tarólogo que desenvolveu e aprofundou os ensinamentos de Crowley.
O curso feito ao vivo tem a duração de, pelo menos, 30 semanas, com duas aulas de duas horas por semana. Por aqui se pode avaliar a vastidão e complexidade de um curso de Tarot como este. Por correspondência não terá uma duração definida, uma vez que compete a cada um a maior ou menor aplicação no estudo das apostilhas. Comentários, perguntas e dúvidas serão sempre bem recebidas e respondidas na medida em que for possível.

Um pouco de história

O Tarot tem a sua origem remota no Antigo Egipto, por isso, é também chamado por alguns autores de “O Livro de Thot”.
Thot foi um deus egípcio. Atribui-se-lhe a invenção da escrita, da linguagem e da Astrologia. Era o deus do conhecimento.
Teve vários personagens equivalentes nas antigas civilizações: Hermes na Grécia, Mercúrio em Roma, Auhuman na Índia, Quetzacoalt no México. Todos estes deuses eram instrutores dos homens, dando-lhes conhecimentos básicos como a escrita, a forma de se comunicarem através da linguagem, as artes, enfim, o conhecimento básico em geral.
Pensa-se que Thot, para além da figura que assumiu na mitologia egípcia, tenha sido um ser humano possuidor de dotes muito especiais, provavelmente oriundo da antiga Atlântida, ou mesmo de um outro planeta. Atribui-se-lhe também o governo do Egipto antes do Egipto histórico que conhecemos, por mais de 3.000 anos.
Não se sabe exactamente como é que o Tarot chegou à Europa. Na verdade foram os ciganos que o popularizaram na Europa, quando as suas tribos emigraram do Médio Oriente para o Velho Continente. Mas figuras famosas do ocultismo se dedicaram à sua interpretação, explicação e desenvolvimento. Refiro, como exemplos, Giovanni Coveluzzo, historiador italiano do século XV; Jacquemin Gringonneur, artista francês que criou um baralho para o rei Charles VI, em 1392; Visconti Sforza, que criou um baralho em Milão, talvez como um presente de casamento entre as famílias Visconti e Sforza; Court de Gebelin, pastor protestante, ocultista e arqueólogo, que introduziu o Tarot na sociedade elitista europeia; Eliphas Levi, cujo verdadeiro nome era Alphonse Louis Constant, religioso francês, abade da Igreja Católica, cabalista, filósofo, que escreveu o “Ritual da Alta Magia”, entre outras obras conhecidas hoje do público; o Dr. Gerard Encause, mais conhecido como Papus, médico francês, rosacruz e fundador do Martinismo, foi um grande estudioso do Tarot, tema do seu livro “O Tarot dos Boémios”. Nas palavras de Eliphas Levi: “O Tarot, livro miraculoso, fonte de inspiração de todos os livros sagrados dos povos da antiguidade, é o mais perfeito instrumento de adivinhação”.
Na verdade, trata-se de um autêntico livro mágico, que reúne em si, nas suas 78 lâminas ou cartas, todo um profundo conhecimento que nos vem sendo transmitido desde a mais remota antiguidade.
O baralho que usamos foi criado por Aleister Crowley que, nos dias 8, 9 e 10 de Abril de 1904, em viagem no Egipto, recebeu de Hoor-paar-Kraat, o Senhor do Silêncio, uma das formas de Hórus, todo um texto que anunciava uma nova era para a humanidade, a Era do Amor. Crowley publicou esse texto num livro que chamou “O Livro da Lei”, constituído por três capítulos: no primeiro é Nuit, o Princípio Feminino, que expõe a doutrina para a Nova Era; no segundo é Hadit, o Princípio Masculino; no terceiro é o próprio Hórus. Estas entidades nomeiam Crowley para ser o divulgador da sua mensagem, o que ele fez no “Livro da Lei”.
Constituído por 78 lâminas ou cartas, sendo 22 Arcanos Maiores, 16 Figuras da Corte e 40 Arcanos Menores, baralho desenhado pela artista Lady Freda Harris, é um verdadeiro compêndio de sabedoria. Cada carta é um mundo maravilhoso que se abre aos olhos do estudante atento. Nas palavras de Aleister Crowley: “A tarefa deste escriba tem sido a de preservar as características essenciais do Tarot, que são independentes das mudanças periódicas das Eras e actualizar aqueles caracteres dogmáticos e artísticos que ficaram ininteligíveis. A arte do progresso está em manter intacto o Eterno, mas também em adoptar uma posição de vanguarda, talvez, em alguns aspectos semi-revolucionária, com respeito aos acidentes sujeitos ao império do tempo.”
Veet Pramad diz que o Tarot pode ser definido como: “A expressão plástica dos Arquétipos Universais, presentes no Inconsciente Colectivo da humanidade que aparecem, de uma maneira ou de outra, quando homens e mulheres, especialmente intuitivos, conseguem captá-los. A elaboração conceitual e artística destas imagens universais, conta e contará com a cumplicidade de entidades espirituais que trabalham para dar o ser humano um veículo que lhe permita orientar-se melhor na viagem do auto-conhecimento ou resgate da essência divina de cada um de nós”.