Se o zero é a ausência ou a potencialidade de tudo, o um o Princípio Masculino Universal manifestado, o dois é o Princípio Feminino Universal e o complemento ou a contra parte do um. O um não pode existir sem o dois, pois não há luz sem sombra e, quando definimos o bem estamos, ao mesmo tempo, a definir o mal. Por isso os religiosos fanáticos passam o tempo a excomungar os demónios e a exorcizá-los, porque atraem para si as energias opostas e extremadas.
O dois representa a dualidade estabelecida entre o um e o dois, que será completamente realizada no três em resultado dessa união.
Isto parece um jogo de palavras sem sentido, um jogo abstracto de números sem qualquer significado. Mas, se olharmos para a natureza, esta é a dualidade permanente, é o um e o dois, sem os quais nada acontece e nada se realiza, É a regra do três que os iniciados conhecem há muito tempo, representada nas religiões através das várias trindades, embora na trindade hindu cada um dos elementos tenha as duas polaridades, o masculino e o feminino. A trindade cristã, de origem judaica, é representada apenas no masculino, o que é um contra-senso pois sem o feminino nada é possível realizar-se. Isto é devido à tradição judaica ser essencialmente patriarcal, dando ao feminino um valor muito reduzido, o que foi herdado pelo cristianismo.
Símbolo Astrológico: Lua
A Lua é o astro mais rápido do Zodíaco e a sua influência faz-se sentir em tudo o que é cíclico e flutuante. Responsável pelas marés, governa também a fertilidade e o crescimento. Em função da velocidade com que circula no céu do
Zodíaco, representa mudança e movimento. É símbolo de tudo quanto está oculto e encontra-se frequentemente ligada a cultos de bruxaria e de magia. Presente no inconsciente motiva as crenças mais primárias e fomenta a ilusão.
Juntamente com Mercúrio governa a memória; com Marte os instintos.
Elemento: Água
Este Elemento é responsável pelas nossas emoções e sentimentos. Da mesma forma que a Rainha de Copas, cujo Elemento preponderante é Água, a Sacerdotisa, de um modo mais efectivo, é a dona do nosso corpo emocional. Rege a nossa imaginação, sensibilidade e a capacidade de imprimirmos nos nossos sonhos as nossas emoções mais profundas.
Caminho Cabalístico: 13º Caminho. Une Tipharet, a Beleza, com Kether, a Coroa, atravessando o desconhecido que na Cabala se chama “Daat” ou “Abismo”. É um caminho central que atravessa essa zona escura da Árvore da Vida, que mais não é do que a representação das nossas emoções mais profundas, do mar profundo e interior em que mergulham e que temos dificuldade em atingir.
Em termos psicológicos, “Daat”, o Abismo, representa a sombra que vive no interior de cada um de nós e que temos muita dificuldade em enfrentar. Enfrentar a sombra requer uma grande dose de coragem, pois trata-se de assumir o nosso lado mais obscuro, aquilo que se esconde no fundo do inconsciente e que representa os nossos instintos mais primários. Assumir a sombra é um passo muito importante no caminho do iniciado, pois de outro modo a sua evolução ao encontro da luz se encontrará comprometida. Nós somos a luz e a sombra, o bem e o mal, dependendo de como nos manifestamos perante a vida. O segredo está em admitir que somos seres duais e assim procurar o equilíbrio dinâmico não só entre as nossas duas polaridades, o masculino e o feminino, mas também procurar desactivar o nosso lado sombra sobreponde-lhe o nosso lado luz.
Simbologia:
A Sacerdotisa é Ísis, a maior deusa do Antigo Egipto e talvez a maior de toda a Antiguidade. Ísis, a Senhora da vida, da morte e da ressurreição, foi cultuada durante milénios em toda a bacia mediterrânica e na Europa do sul. Tomou vários nomes em função dos cultos locais, mas era sempre a mesma deusa representada nas suas múltiplas formas. Ela é as várias virgens negras que apareceram em inúmeros lugares, sobre os quais, em alguns casos, se construíram catedrais; ela é Madalena, a prostituta arrependida para o patriarcado cristão e a esposa de Jesus conforme algumas teorias recentes; ela é as várias Virgens e Senhoras do actual panteão católico; ela é, em suma, a Grande Mãe da tradição pagã.
Por influência religiosa do cristianismo, durante séculos a maioria dos baralhos apresentava esta carta com o nome de Papisa, como ainda hoje acontece. Para o mundo católico, o termo Sacerdotisa era uma heresia, e por isso o seu nome foi substituído pelo de Papisa, o que na realidade não melhorou as coisas, pois Papisa implicava aceitar que uma mulher poderia ocupar a “cadeira de São Pedro” ou, pior, que o Papa poderia ter uma consorte. Crowley devolveu-lhe o nome ancestral de Sacerdotisa, muito mais de acordo com a sua função tradicional de regente de cultos e rituais.
A Sacerdotisa é Ísis vestida com as vestes sacerdotais. É a fonte mágica e energética da criação, da fecundidade e transformação.
Na carta que estudamos, é Artemisa, a deusa da Antiga Grécia, uma expressão de Ísis transformada em deusa grega. Em Roma é Diana.
Depositária da sabedoria oculta, ela encarna o Princípio Feminino Universal.
LEITURA
Situação actual: A pessoa vive um período de grande recolhimento, afastada do mundo e sem vontade para nada. Pode tratar-se de um período de descoberta interior, observando-se a si mesma e tentando compreender as suas emoções mais profundas. Pode também tratar-se de um período de grandes dificuldades em tomar iniciativas, por medo, falta de inspiração ou falta de objectivos claros. A segunda carta ajudará a decifrar qual das situações por que está a passar. Se for necessário, uma terceira carta reforçará a tendência mostrada nas duas primeiras.
Âncora: Esta posição, como já vimos, é a que concentra a atitude que a pessoa adoptou para a sua vida, fruto de experiências mal resolvidas, de influências recebidas da família e da sociedade, de padrões de comportamento que acabam por limitar a liberdade individual e a capacidade de se tornar uma pessoa livre de amarras de paradigmas ou dogmas.
A Sacerdotisa nesta posição significa que a pessoa se deixou cristalizar numa atitude de grande timidez e desconfiança. Desconfia de tudo e de todos. Extremamente tímida, é incapaz de se entregar ao fluir natural da vida. A falta de confiança impede-a de partilhar com os outros as suas emoções e as suas ideias. Incapaz de entregar mo seu corpo às sensações físicas e aos desejos. Tem medo de agir, de tomar iniciativas, de mostrar o que realmente sente. Como a tartaruga, vive no interior de uma casca, dentro da qual se sente segura das ameaças que o mundo lhe inspira. Pode mostrar uma máscara de espiritualidade e misticismo, para não mostrar o seu medo da vida. Junto com o 8 de copas (indolência), pode indicar profunda depressão.
Inconsciente: A Sacerdotisa nesta posição indica que a pessoa precisa de parar o seu ritmo de vida e acalmar o seu coração. Deve meditar sobre as suas motivações e tentar identificar os seus verdadeiros desejos e emoções – não se deixar ir na onda. Deve tentar ganhar confiança nas suas capacidades.
Relações afectivas: Distanciamento, clausura. Corte de laços afectivos e sexuais. Se for mulher, prováveis sintomas de frigidez; se for homem, impotência. Teme a proximidade dos outros e dá-se ares de superioridade e de falsa espiritualidade. Puritana. Forte tendência para seguir uma vida monástica, onde as questões de natureza sexual se encontram ausentes ou reprimidas. Em termos sexuais é provável que seja virgem.
Infância: Infância infeliz onde a criança se viu impedida de tomar qualquer iniciativa, qualquer atitude activa ou criativa. Filha de pais castradores: “está quieto!”, “não chateies!”, “não mexas aí!”, “sai daí!”, “vai brincar para o teu quarto!”, etc. Transformou-se assim num ser anulado, rejeitado, proibido de se manifestar. Criou um mundo de fantasia cheio de fadas, príncipes e princesas, para atenuar o mundo cinzento em que vivia.
Tratamento: Parar o movimento compulsivo e virar-se para si mesmo, para o seu interior, ligando-se a sentimentos e emoções. Dedicar-se mais a si mesmo e deixar de lado actividades e relacionamentos pouco satisfatórios. Procurar desenvolver o seu lado feminino: sensibilidade, receptividade, meditação e espiritualidade. Se tem tendência ou atracção pelo oculto, começar a dedicar-se a estudar as ciências ocultas.
Desenvolvimento: A Sacerdotisa aqui indica que a pessoa atingiu um patamar de grande tranquilidade e paz interior. Mais consciente das suas emoções e desejos, atravessa uma fase mais receptiva e tranquila, desenvolvendo a intuição e o seu interesse pelo oculto. Por este caminho, vai sentir-se mais plena e completa, em harmonia com a vida.
Expressão interior: Pessoa mais consciente do seu mundo interior e aberta para a vida, com francas possibilidades de resgatar a sua parte feminina.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
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