segunda-feira, 5 de maio de 2008

O BARALHO, O MÉTODO, O LOCAL E A LEITURA

O Baralho
O baralho que usaremos é o que foi idealizado por Aleister Crowley. Convém que o estudante adquira um destes baralhos o mais rápido possível pois, de outro modo será difícil seguir as explicações que serão dadas.
O baralho é pessoal e não deve ser manipulado por outras pessoas. Deve ser personalizado, magnetizado com a nossa energia.
Há algumas sugestões dadas por certos autores para magnetizar um baralho, desde dormir 7 noites seguidas com o baralho debaixo da almofada da cabeça, até passar uma noite inteira velando as cartas. Cada um fará como bem entender, mas a minha sugestão é bem mais simples: o baralho ficará magnetizado desde que manipulado apenas pelo seu proprietário, sem necessidade de nenhum ritual específico.
Como cada baralho é individual e só deve ser manipulado pelo seu guardião, seu proprietário, evitar fotografá-lo, filmá-lo ou mostrá-lo desnecessariamente a pessoas apenas curiosas. Deve ser tratado como uma jóia de uso exclusivo do seu guardião para estudo ou leituras. Deve ser guardado, de preferência, embrulhado num pano de seda ou de um outro tecido não sintético.

O Método
Vamos começar por abrir o baralho para a Leitura Terapêutica, segundo Veet Pramad, mas que eu chamo de Leitura Dinâmica. Esta forma de Leitura, também chamada de Cruz Celta, é uma leitura completa que nos indica o passado, o presente e o que o futuro pode reservar.
Inicialmente iremos aprender como tratar o baralho e a colocação das cartas sobre a mesa. Sabida a posição de cada carta sobre a mesa e o significado de cada posição, iremos aprender então o significado de cada carta, uma por uma, e a sua interpretação em cada uma das posições da Cruz Celta.
No final, quando estivermos familiarizados em esta forma de Leitura, iremos aprender outras, como a Leitura do Mago, a Leitura Astrológica, a Leitura do Triângulo e a Leitura Cigana. Não aprenderemos a Leitura da Arvore da Vida porque é necessário possuir-se um grande conhecimento da Cabala.

O Local
Embora alguns autores sugiram que o local da Leitura deve ser especialmente escolhido, qualquer local é bom desde que consigamos criar uma atmosfera de silêncio e cumplicidade entre o leitor e o consulente. Uma Leitura de Tarot é um assunto entre duas pessoas apenas, ninguém mais deve estar presente, mesmo que seja família, marido, esposa, namorado ou namorada. Procurar um lugar em que haja a menor interferência possível.
A mesa deve ser, em princípio, redonda. Sobre ela colocar um pano branco de lã ou em tecido não sintético, nada mais, nenhum outro objecto. No meu caso pessoal costumo acender apenas uma vela. Sobre o pano branco será aberto o pano de seda que envolve o baralho.
Convém que ambos, o leitor e o consulente, estejam descalços, que deixem os sapatos à entrada da sala ou compartimento em que vai ser feita a Leitura.
Antes de começar a Leitura deve ser feito um período de meditação e relaxamento com respirações profundas.
Evitar que o consulente fale compulsivamente, dando informações que podem alterar a abordagem intuitiva da Leitura. Mas estar atento à linguagem corporal e energética do consulente, que podem fornecer pistas, complementando a revelação das cartas.
Preparado assim o ambiente propício à Leitura e com o baralho sobre o pano de seda desdobrado sobre a mesa, o leitor escolherá a carta testemunha, que será a carta que representará o consulente. Há formas simples de escolher a carta testemunha, como por exemplo, escolher a Sacerdotisa se o consulente for mulher, e o Mago se for homem. Esta é uma forma simplista e pouco confiável, pois a carta testemunha deve corresponder, na medida do possível, à personalidade física e psíquica do consulente, portanto, deve haver o máximo cuidado e atenção na escolha.
Pessoalmente prefiro usar a sugestão de Veet Pramad, que é a de escolher uma das Figuras da Corte, um conjunto de 16 figuras, 8 femininas e 8 masculinas, entre as quais podemos encontrar aquela que corresponda, o mais próximo possível, às características do consulente. Uma boa táctica será tentar saber o Signo de nascimento do consulente e o seu Ascendente. Por experiência sei que a grande maioria das pessoas sabe o seu Signo mas desconhece o Ascendente. Por exemplo, se o consulente é do Signo de Câncer e tem o Ascendente em Aquário, a minha escolha recairia sobre a Rainha de Espadas, se for mulher, ou sobre o Príncipe de Copas, se for homem. E porquê? Porque o Signo de Câncer tem como elemento a Água e o Signo de Aquário o Ar. O elemento das Rainhas (Copas) é Água e dos Príncipes (Espadas) é Ar. Não sabendo o Ascendente poderemos chegar a uma escolha usando apenas o Signo e operando por intuição e por observação da linguagem corporal do consulente.
Escolhida a carta testemunha e com o consulente já relaxado através das respirações profundas, vamos invocar a presença de Entidades Espirituais Superiores, para nos ajudarem no trabalho. Existem inúmeras invocações, cada um deve encontrar a sua. Crowley sugere:
“Eu te invoco IAO, para que envies HRU, o grande anjo que preside às operações desta Sabedoria Secreta e coloque sua mão invisível nestas cartas consagradas à arte, para assim conseguir conhecimento verdadeiro das coisas ocultas, para glória do teu nome inefável. Amem!”
Para estabelecer uma ponte entre o leitor, o consulente e as cartas, sugerimos pedir ao consulente para colocar a sua mão esquerda sobre o baralho, fechar os olhos e fazer umas três ou quatro respirações profundas.
Após esta operação, que não deve durar mais do que um minuto, é altura de baralhar as cartas. Deve-se fazê-lo em 3 séries de 4 movimentos: em cada série, os três primeiros movimentos são iguais, dividindo o baralho em dois e inclinando-as para dentro, deixando as cartas entrelaçar-se umas nas outras; o quarto movimento de cada série consiste em segurar o baralho com uma mão e deixar as cartas cair na outra mão, sobreponde-se umas às outras.
Depois de baralhadas, pedir ao consulente para cortar o baralho com a mão esquerda. Depois do corte, o leitor junta o baralho e coloca-o no seu lado esquerdo.
Chegou a altura de expor as cartas na tradicional Cruz Celta, pela ordem que indicamos abaixo. Isto deve ser feito com a mão esquerda. As cartas 1 e 2 colocam-se cruzadas sobre a carta testemunha.
Depois, em cruz e seguindo o movimento dos ponteiros do relógio, colocar em cima, do lado do consulente, a carta 3, à direita da cruz a carta 4, em baixo a carta 5, do lado esquerdo da cruz a carta 6. Depois, do lado direito, no sentido do leitor para o conulente, uma fileira de cartas, nºs 7, 8, 9 e 10.

A Leitura segue a seguinte ordem: (VER DESCRIÇÃO DA CRUZ CELTA)

Cartas 1 e 2 – Situação actual.
A carta nº 1 mostra o momento que a pessoa está a viver, sua atitude perante a vida e sua atmosfera actual.
A carta nº 2 cruza a primeira e pode conter os efeitos da primeira, algo que está incubado e pronto a manifestar-se. Pode mostrar bloqueios em relação à evolução mostrada na primeira carta. Pode reforçar as potencialidades da 1ª carta ou bloquear essas potencialidades. As cartas cruzadas representam o par de forças que correspondem à dinâmica da vida da pessoa. Em caso de dúvidas, tanto nesta como nas outras posições que veremos a seguir, poderemos tirar do baralho mais cartas para reforçar a leitura.

Carta 4 – Âncora
Veet Pramad chama Âncora à carta nesta posição. Tradicionalmente esta é a carta que revela o resultado do passado e que pode influenciar o presente. É o estado em que a pessoa se fixou, devido a toda a experiência passada. São os estados psíquicos, as cristalizações, os hábitos, tudo adquirido durante a vida e que condicionam a personalidade actual: traumas que devem ser superados; máscaras que devem ser desfeitas; nós que devem ser desatados. Esta posição é o eixo em que a pessoa se fixou e que deve ser transposto para permitir a realização pessoal e para que a pessoa se transforme e amadureça.

Carta 7 – Inconsciente
Esta posição mostra o que a pessoa está a precisar com urgência. O que precisa fazer para se libertar. É um pedido de socorro que vem do seu interior e do qual a pessoa nem tem consciência.
Carta 8 – Relações afectivas
Esta posição mostra como a pessoa se relaciona com os outros a nível íntimo, afectivo e sexual.

Carta 9 – Infância
Trata-se da infância da pessoa, como é que foi vivido o seu primeiro período de vida. Esta posição relaciona-se directamente com a Âncora, pois a forma como foi vivida a infância influencia fortemente a personalidade actual. As experiências boas ou más marcam a personalidade para o resto da vida.

Carta 5 – Tratamento
Esta posição indica o caminho a seguir para ir anulando os bloqueios e cristalizações mostradas na Âncora e na Infância, melhor dizendo, pelas cartas abertas até este momento. Uma segunda carta pode indicar o que fazer para reforçar a individualidade da pessoa.

Carta 6 – Desenvolvimento
Esta carta indica se a pessoa está no caminho do desenvolvimento interior, num caminho evolutivo, ou não. Se a carta for de aspecto positivo, a pessoa está no bom caminho no sentido da evolução interior para se tornar num ser mais elevado. A carta negativa mostra o que é preciso lapidar para que a pessoa consiga superar os seus aspectos negativos.

Carta 3 – Expressão Interior
Esta posição mostra como a pessoa se encontra interiormente, se em paz consigo mesma, se está assumindo o domínio da sua própria vida, ou não. Uma carta positiva mostra que a pessoa está em plena realização da sua vida, assumindo os riscos que ela comporta. Se for negativa, mostra que a pessoa continua presa a velhos temores de que tem dificuldade em libertar-se.

Carta 10 – Expressão Exterior
Esta última posição mostra como a pessoa se expressa para o exterior, como são as suas relações sociais, profissionais e familiares. Mostra o que a pessoa é, de facto, em face do mundo.

NOTA: PARA PODER RECEBER GRÁFICOS E DESENHOS ILUSTRATIVOS, FAVOR INDICAR O SEU E-MAIL

Nenhum comentário: