quinta-feira, 5 de junho de 2008

OS ARCANOS SUPERIORES - IV - O Imperador

O seu título esotérico é “O Chefe entre os Poderosos”.
É o número 4, simbolicamente relacionado com a cruz e o quadrado. Representa o que é sólido, tangível, manifestado. Simboliza também a Lei, a Ordem e a Estabilidade. O Imperador, seja de um império manifestado, como houve muitos até hoje, seja de um império espiritual, é aquele que manda em todos, nos pobres e nos ricos, nos fracos e nos poderosos; é aquele que dita a Lei, que garante a Ordem e mantém a Estabilidade.
O número 4 está presente na nossa realidade de diversas formas: os 4 pontos cardeais, Norte, Sul, Este, Oeste; os 4 Elementos da matéria, Fogo, Água, Ar, Terra; as 4 letras do nome de Deus em diversas línguas; as 4 fases da Lua; as 4 Estações do Ano; os 4 períodos em que podemos dividir a vida humana, infância, adolescência, maturidade e velhice.
São 4 os Mundos Cabalísticos: Atziluh, o mundo arquetípico; Briah, o mundo da criação; Yetzirah, o mundo da formação; Assiah, o mundo material.
Para Jung, o 4 representa o fundamento arquetípico da psique: Intuição, Sentimento, Sensação e Pensamento.
O ser humano pode ser classificado por 4 aspectos fundamentais: o ser espiritual, o intelecto, o corpo emocional e o corpo físico.

Símbolo Astrológico: Áries (Carneiro)
O ariano é impulsivo, entusiasta, vivaz, dinâmico, ambicioso, empreendedor, directo, orgulhoso, egoísta, violento, primitivo, conquistador, impaciente e, quase sempre, carece de perseverança para concluir o que começou. Adora mandar e odeia obedecer.
É leal, embora inconstante, tendo muita dificuldade em se enquadrar num padrão ou norma. É optimista e cheio de confiança em si mesmo. Entusiasma-se com tudo o que é novo.
Governado por Marte, o planeta regente do Signo de Áries, a palavra-chave do ariano é: Eu Sou!

Elemento: Fogo
Embora possa parecer, Fogo não é o Elemento responsável pelas nossas emoções. Como já vimos, quando falámos da Sacerdotisa, o Elemento responsável pelas nossas emoções é Água. Fogo é o responsável pela explosão dessas emoções, muitas vezes de forma errada. É também o Fogo o Elemento que fomenta a nossa vontade, a energia que nos faz reagir contra a letargia, contra a imobilidade; Podemos dizer que Fogo é o Elemento do nosso descontentamento perante a vida, quando conseguimos fugir aos padrões sociais e tentamos seguir pelos nossos próprios passos.

Caminho Cabalístico: É o 28º Caminho, unindo Yesod, a Fundação, com Netzah, a Eternidade. De acordo com o Sepher Yetzirah, “O 28º Caminho é chamado ‘A Consciência Natural’, porque mediante ela se completou a natureza de tudo o que existe sob a esfera do Sol”.

Simbologia:
A figura da carta representa um homem de meia-idade mostrando o lado esquerdo do rosto, o lado racional, lógico e masculino. Esta forma de mostrar o rosto apenas de um lado, que já vimos também anteriormente, é comum em muitas figuras antigas ligadas especialmente ao ocultismo ou a escolas iniciáticas. É exemplo flagrante os retratos de Louis-Claude de Saint Martin, o fundador do Martinismo, mais tarde reelaborado e recuperado por Papus. Muitos reis, rainhas e imperadores foram também assim retratados, significando com isso que os retratistas sabiam muito bem o que estavam a fazer.
A posição do corpo do Imperador nesta carta representa o símbolo alquímico do enxofre: os braços formando um triângulo e as pernas uma cruz. Para os alquimistas, o enxofre é a energia criativa do Princípio Masculino da Natureza.
As duas grandes cabras selvagens dos Himalaias representam a independência, a valentia e a solidão.
O cordeiro a seus pés significa domesticação, covardia, obediência, servilismo e dependência do rebanho e do pastor – o poder do Imperador sobre os súbditos. É o cordeiro sacrificial, o que se sacrifica em nome de um poder mais elevado. Temos aqui uma consonância com a ideia do “cordeiro de Deus” tão presente no cristianismo.
Para Crowley, estas imagens mostram o papel dos governos, pretendendo transformar seres livres, valentes, instintivos e independentes, em covardes sem identidade e vontade própria, identificados com o rebanho, segurando qualquer bandeira. Esta visão de Crowley é uma visão cruel acerca do papel que os governos e as religiões têm desempenhado, tentando e conseguindo submeter os seres humanos às suas doutrinas. Afinal, vivemos num mundo em que a liberdade é virtual, quer dizer, que não existe de facto, mesmo nas chamadas democracias. Independentemente dos regimes políticos, o ser humano é presa de padrões de comportamento e obrigações que limitam ou eliminam a sua condição natural de ser livre.
Continuando a ver a carta, o escudo com a águia de duas cabeças representa a obra ao rubro dos alquimistas.
Os braços do seu trono mostram a rosa-dos-ventos, indicando que a sua autoridade se dirige em todas as direcções. Na mão direita segura o ceptro com cabeça de carneiro, querendo significar que a sua autoridade é essencialmente mental. A bola coroada com a cruz de Malta que tem na mão esquerda mostra que a sua autoridade foi estabelecida solidamente. Se virmos nesta bola o símbolo de Vénus invertido, isso significará que a energia do Imperador frutificou, isto é, realizou-se na matéria.
A cor vermelha das suas vestes simboliza o poder supremo. De notar que a cor vermelha ou os vários tons de vermelho estiveram sempre associados ao poder – veja-se na Igreja Católica a cor das vestes dos bispos e cardeais, embora ali o poder supremo, o Papa, vista de branco. A cor vermelha é também a cor da vida, do fogo e do sangue.
Como já vimos no caso da Imperatriz, as abelhas e as flores-de-lis pretendem significar poder gerador e frutificante, quer dizer, que o seu poder se consumou e frutificou na matéria.
O Imperador é a carta que melhor representa o poder capitalista: ele representa o poder do dinheiro e suas leis. Bloqueia a sua espiritualidade para conjugar melhor os seus objectivos: “Pensar em trabalhar para produzir”. Trata-se do Princípio Masculino Material. Viciado no poder, o Imperador representa o pai, a autoridade, os poderes legislativo, executivo e judicial.


LEITURA

Situação actual: Mostra a pessoa dedicada fundamentalmente à realização prática de assuntos materiais. Encara a vida de uma forma fria, racional, materialista, competitiva e agressiva. Pessoa esquecida do lado lúdico da vida, não querendo saber dos seus instintos e emoções, os quais bloqueia para não se distrair do seu objectivo principal, que é o de ganhar dinheiro e conquistar poder a qualquer preço.

Âncora: Incapaz de relaxar, trabalhador compulsivo. Jung classificou este tipo de personalidade como uma das formas de Persona, quer dizer, a pessoa identifica-se totalmente com o seu trabalho e não consegue diversificar os seus interesses por outras áreas, mesmo entre a família, os amigos e nos momentos de relaxe, como sejam férias ou fins-de-semana.
Imagina que se não tiraniza os outros, estes acabarão com ele. Considera todos como seus inimigos ou adversários, sempre prontos a derrubá-lo. Não aceita que pode errar e considera conspiração contra a sua autoridade se alguém lhe fizer um reparo.

Inconsciente: Neste caso, quando a carta aparece nesta posição, quer dizer que a pessoa precisa de ser mais dona da sua vida, olhar mais para o lado material. Precisa ser mais firme, racional e metódica.

Relações afectivas: O que mais importa é o lado material – as emoções, o amor, o desejo sexual ficam em segundo plano. Pode estar virado para o trabalho como uma fuga à sua vida afectiva.
Pode também significar um macho reprimido e repressor, incapaz de amar. Relaciona-se apenas para obter vassalos que cumpram os seus desejos, que trabalhem para ele e o enriqueçam.

Infância: Nesta posição a carta representa o pai do consulente. Extremamente autoritário, repressor, que nunca mostrou amor pela criança. Obrigou a criança a normas rígidas e castigos para as normas infringidas.

Tratamento: Procurar disciplinar a sua vida, organizando-se e valorizando-se. Procurar sintonizar-se com os valores materiais, fortalecendo a sua vontade.

Desenvolvimento: Período de trabalho e realização material, com dedicação, firmeza e confiança. Acompanhado do 5 de Copas (frustração) ou do 5 de Ouros (sofrimento), pode indicar um conflito com a autoridade, que pode ser o pai, o patrão, o chefe, e sair provavelmente mais seguro de si mesmo e dono da sua vida.

Expressão interior: Tornou-se senhor da sua v ida, assentou a sua autoridade sobre bases sólidas e realistas.

Expressão externa: Está assumindo um papel de liderança em aspectos económicos e/ou políticos.

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